Cansei de ficar escrevendo. Tem um sol muito bonito lá fora. Queria aproveitá-lo junto com alguém. Como esse alguém não existe, vou ter que aproveitar sozinho. Vou até a minha praça, na beira do rio. Ver o pôr-do-sol e, por um segundo, sentir uma alegria enorme. Depois, uma espécie de medo sem pergunta e a tristeza crescendo fazendo nascer a vontade de morrer. Ou de viver ainda mais, com muito mais intensidade.
Caio F. em Limite Branco (via cartasguardadas)

(Source: casinoboulevard)

É simples

- Oi, meninas, prazer.. posso conhecer vocês?

- …

- Pô, que isso, vocês são muito sérias! Vocês não vão dar nenhum sorriso pra mim?

- …

- Nossa.. vocês são sérias mesmo. É muito difícil fazer vocês sorrirem, tou aqui tentando e nada..

- Na verdade é bem simples nos fazer rir.

- É?

- É. É só você ir embora.

Bh is on fire

Eu pensei em contar isso via Twitter, mas eu teria que usar vários 140 caracteres pra escrever sobre tudo de ontem, então eu resolvi ser espertinha e criar isso daqui. Então… ONTEM:

Resolvemos, ali pelas 23h30 da noite aonde iriamos. Fomos então para o lugar. Com essa nova lei anti-fumo, a maioria dos estabelecimentos criou um chiqueirinho para os fumantes, uma coisa que acho deveras engraçada, porque ficam todos parecendo uns porquinhos ali dentro, mas tá, isso não vem ao caso. Entramos.

Música esquisita, banda com som meio desregulado e aprendendo as músicas na hora, ali em cima do palco mesmo. Ok. Sabe quando vc diz pra alguém que não vai sair com ela e dá um motivo que até é verdade, mas não é o mais forte do mundo? Então. Sabe quando você sai nesse dia e encontra com essa pessoa? Então. Ok. Esse lugar não ia render, a música tava fraca, o povo feio e desempolgado… decidimos, como nunca haviamos feito antes tão rapidamente, VAMOS EMBORA DAQUI. Fila… pagar conta… e numa leve distração aparece uma pessoa errada. Saca aquela ideia de prender os ex no Galba? Pois podia acontecer mesmo.. Apareceu um desses ex que te fazem de idiota e quando você se toca e move on, eles reaparecem e cobram de você um afeto que você não dá e ai eles ficam putos. É, eles são audaciosos assim e ficam putos por você não mais querer dar ideia pra eles. Um momento esquisito, mas who cares? Já estavamos indo embora mesmo! Saimos. UFA. Passamos pelo chiqueirinho dos fumantes e no caminho do carro decidimos passar em frente um outro lugar pra ver como estava o movimento. Vale a pena dizer que este lugar é traumático, por isso todo esse cuidado em só checar como está. Fomos.

Na porta, tinham 3 pessoas saindo do estabelecimento 2.. Perguntamos como estava lá dentro, o clima, etc. Eles responderam com uma dessas perguntas retóricas clássicas: “Você quer a verdade ou a mentira?” Eles até disseram mais alguma coisa sobre como estava lá, mas depois dessa, eu já imaginei que não seria nada bom. Olhei pelo corredor, ali da entrada mesmo.. O que eu vejo? Um abacaxi gigante no final da escada. É sério, eu não estou exagerando, brincando ou fazendo alguma analogia estranha, era mesmo um enfeite de abacaxi gigante ali. “Moça, o que tem aí hoje, hein?” - No que ela respondeu a banda que eu mais detesto tocando numa festa brega. Ah, esqueci de mencionar que quando chegamos na porta tinha um pessoal gritando Legião Urbana. Eu ODEIO Legião. Decidimos mais uma vez não ficar ali… aonde ir então? Ligamos pra um amigo que também não soube ajudar muito bem…

Vamos pra algum lugar normal então? Vamos. Sinuca? Vamos. Fomos pro estabelecimento 3. SÓ TINHA HOMEM. As 3 outras meninas além de nós que lá estavam, eram namoradas de alguns desses homens.

Isso era um indício. A gente sempre ignora os indícios. Ficamos, apesar de tudo. Aquele era o ambiente mais tranquilo e menos estranho que estivemos. Papo vai, papo vem e o primeiro sujeito aparece para atormentar. A gente pode sentar aqui pra uma cerveja? Não. O banheiro se tornou um caminho arriscado… era preciso passar por muitos homens (amigos desse que chegou na nossa mesa) para chegar até lá. Enrolamos o quanto a nossa bexiga aguentou. Conseguimos ir ao banheiro sem momentos traumáticos..

Por volta de umas 3 e meia, este lugar fechou. 3 e meia não é hora de acabar a noite e o papo que estava tão bom. Vamos para um dos únicos lugares nessa cidade maldita que está aberto a essa hora. E assim fomos para o Rei do Pastel. No segundo em que descemos do carro, parado ali bem pertinho do bar, alguns sujeitos tentaram um diálogo. Chamaram uma de nós de japonesa, perguntaram se eramos de Bh. Acho que a gente não deveria ter sido de Bh ontem mesmo, a cidade estava muito, mas muito estranha.

Ignoramos essas pessoas e seguimos para o bar. Conseguimos uma mesa e sentamos. Estava tudo bem, o papo fluia leve e intensamente quando o primeiro babaca do Rei do Pastel aparece. “Oi, meninas, eu tava pensando…” - Tive que interromper: “Olha, vamos cortar a conversa mole e a resposta é “Não. Vaza.”

Algumas pessoas não sabem que quando você diz não, você quer dizer NÃO. Esse era um dos que não sabiam. Ele insistiu, nós dissemos que estávamos num papo bom e gostariamos que ele se retirasse pra que pudessemos continuar. Ele disse que queria saber do que falávamos então, pra que ele interagisse. “Semiótica.” - “Semiótica?” - “É, semiótica. Estamos falando de semiótica.”

Eu vi ele buscando qualquer informação ou ligação etimológica que o fizesse comentar sobre aquilo, mas o álcool e o pouco desenvolvimento da massa encefálica não permitiu. “Semiótica… você tem a ótica, né… e ai…” Não saia nada dele e de nós só muita gargalhada. Ele tentou de novo. “Semiótica tem a ver com espíritos, né?” A nossa barriga já não aguentava rir tanto. “Olha, moço, a gente já viu que você não sabe o que é semiótica, agora sai, tá?” Ele finalmente desistiu e despediu da mesa com a mesma inteligência com que ele lidava com a semiótica. “Vocês são engenheiras, né? É isso…”

Isso mesmo, rapaz. A gente fala de semiótica, logo somos engenheiras. Não demorou NADA e apareceu o amigo desse esperto. Acho que esse não disse nada muito estúpido ou a gente que foi logo estúpida demais e ele se mandou tão rápido quanto apareceu.

Não falávamos sobre semiótica, mas descobrimos que esse é um assunto espanta meninos. A gente tava tentando conversar sobre sonhos, desejos reprimidos e coisas por aí. Mais uma vez tentamos retomar a nossa conversa…  Mas devia ter uma fila de homens dispostos a nos atrapalhar. Chegou mais um. Esse era uma mistura de cabelereiro-viado-batinha-indiana com Rim tim Tim.  Chegou, fomos estúpidas.

O que acontece com vocês, homens, pra que vocês não se retirem quando a gente tá sendo grossa? Vocês gostam disso, né?

Já não me lembro nenhuma peculiariadade do pouco diálogo entre nós e esse sujeito. Ele se foi e começamos a conversar de novo. Na mesa do lado da nossa havia dois caras mais velhos.. um de mullet e um quase. Acho que ficaram prestando atenção na movimentação da nossa mesa por muito tempo. Eles se levantaram para ir embora e me cutucaram no caminho “Você é muito durona… parece a Cássia Eller.”

Eu fui obrigada a ouvir isso. Não sou durona, só não tenho paciência com esses caras. Tá, eu sou durona. Mas eu não pareço a Cássia Eller, isso não MESMO!!!

Pouco tempo depois sobe pela rua dois sujeitos muito mal encarados, assim meio mendigos, meio bandidos. Sei lá. Trocando o seguinte diálogo: “Ô fi, vamo ali pegar uns papel pra gente descer e dar uma cagada.” (sic)

Por 5 segundos eu achei que fosse mentira, que fosse uma babaquice dessas que quando ouvidas descontextualizadas fazem um sentido muito diferente do original… até que eu os vi pegando MUITOS guardanapos no balcão antes de descerem a rua de volta. Só torci pra que eles dessem a tal cagada longe do meu carro.

Pouco tempo depois um sujeito da mesa de trás vem até nós perguntar se gostavamos de pastel, porque eles tinham muitos e não iriam conseguir comer tudo sozinhos. “Não”. Não queremos pastel, moço, e tampouco queremos conversar com você. Ele não insistiu muito e se retirou com os pastéis.

Não muito tempo depois aparecem duas figuras estranhas: Crocodilo Dande e o Curinga. Um rapaz vestido assim meio Jason Mraz e um outro de boina com uma boca assustadoramente grande. Vieram perguntar se poderiam se sentar na nossa mesa pra comer um pastel e beber, falaram até que nem iriam conversar com a gente, que só queriam mesmo um lugar pra sentar. “Não.” O Dande, muito adulto, maduro e discreto, pegou uma cadeira e foi pro outro lado da rua fazer graça. Na cabeça dele aquilo tinha graça. Eu senti vergonha alheia. Eles insistiram que deveriam ficar na nossa mesa, porque tinhamos algumas coisas em comum..  “Olha, eu tenho um piercing no nariz, você também tem um… você não tem, mas você fuma!”  “Não.”

Eles conseguiram, pouco tempo depois, uma mesa do lado da nossa. Não satisfeitos em nos perturbar antes, tentaram algumas outras vezes.. E perguntaram se éramos de Bh. A gente não tava muito com cara de belorizontinas ontem. Tenho certeza disso. E por fim, quando não demos a menor ideia, eles se indignaram, chamaram a gente de invejosas e disseram que iriamos nos arrepender. Aham. Quase me bateu arrependimento mesmo… NOT.

Depois de tudo isso, pegamos o caminho da roça, né? Já era dia e tava bom de loucura. No caminho para o  carro um zé tentou dizer alguma coisa, mas estavamos já sem qualquer paciência e simplesmente ignoramos.

Fomos pra casa. E finalmente acabou a saga de ontem.

Essa é uma história sem um final emocionante, mas o meio…. ah, o meio. É até de duvidar.